terça-feira, 14 de setembro de 2010

Vale Tudo

Minha intenção era fazer mais um post sobre os ónibus do Rio mas, ao chegar a casa, tudo mudou:

Sempre achei inútil e sem sentido o fato de terem aprovado aquela lei em que, cada programa é obrigado a ter a sua classificação indicativa antes de começar. Simplesmente previ que, não importa o número assinalado, as pessoas vão assistir o programa ou não de acordo com o horário; ao menos as crianças. Se o programa da Xuxa, por exemplo, fosse dar as 2h da manhã de quarta, nenhuma criança ia assistir, por exemplo. Esse fato foi facilmente comprovado, obviamente; acertei na mosca!
Contudo, se essa atitude parece uma forma de controle e de proteção àquilo que os seus filhos vêm, na realidade não passa de um sistema cínico do tipo "pra inglês ver". Digo isso baseado em reflexões. Minha intenção aqui é mexer com a sua mente e tratar especificamente de novela.

Em primeiro lugar, não. Eu não tenho o hábito e muito menos o tempo pra ver novela porem, a principal novela da Rede Globo está no ar durante o meu horário de jantar.
Suponho aqui que a censura só diminuiu, se formos pensar:

  • Há tempos atrás não seria possível escutar um (desculpem o termo) "Merda!" em uma novela. Hoje, para torna-la mais realista, se tornou usual, até. 
  • As cenas sensuais desconexas com o  enredo da história não só se tornaram frequentes, como as novelas têm seu pico de audiência nessas cenas. Repare bem nas bancas, as revistas publicam com semanas de antecedência e o povão realmente fica comentando até acontecer.
  • Alem das cenas sensuais, as cenas sensacionalistas também aumentaram. Hoje foi o cúmulo ver uma cena em que uma menina na pré-adolescencia, suponho, era vendida pela própria avó para ser escrava sexual numa fazenda. Só eu acho isso um absurdo?

Chegamos a um ponto em que vale tudo para ter audiência. Colocar esse tipo de argumentos naquilo que é chamado de Horário Nobre é para fazer toda a família ver; esteja jantando, descansando ou fazendo qualquer outra atividade. Não me venham com hipocrisias de afirmar que as 21 horas as crianças estão dormindo porque hoje em dia(e não muito na minha época) nenhuma criança vai dormir a essa horário: Tenha a idade que tiver.
A tendência de tudo é piorar, portanto espere um dia em que você verá "Emanuelle no rio" na seção da tarde, "Brasileirinhas" na Tela Quente e, quem sabe, uma novela no estilo "Jogos Mortais".

São outros tempos, meus amigos...

Boa noite.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Já nada se faz por acaso.

Já nada se faz por acaso. Hoje em dia se torna cada vez mais incomum fazer uma pergunta sem ter uma resposta já em mente e, consequentemente, essa resposta não é dada sem se esperar um certo comentário encima dela.
Vivemos num mundo onde cada vez mais as atitudes são pensadas; controladas, consequentemente. Ainda assim tentamos ser livres e continuamos a buscar incansavelmente essa liberdade. Contraditório não? Não.
Veja bem, a busca pela liberdade vem exatamente a necessidade de gerir a sua própria vida: Fazer o que quiser quando quiser, seguindo apenas uma força de expressão; a própria.Logo, podemos dizer que a liberdade é dada pela vontade própria de ter um controle por si mesmo e não os outros.

E o que sai disso? Tentativas frustradas de conseguir espasmos falsos de liberdade. Não entendeu? Veja os exemplos:
  • Se vestir de maneira diferente é uma tentativa de chocar a sociedade, mas, na verdade, você apenas está colocando uma marca em você. De maneira negativa ou positiva, não importa, você está sendo controlado pela opinião a sociedade.
  • Dizem que beber além da conta é bom também. Faz a pessoa se desinibir, agir de formas que, normalmente, não agiria sóbria. O que mais é isso além de ter seu descontrole controlado pela bebida?

Dei dois exemplos claros e corriqueiros principalmente dentro de um época que todos passaram/passam/vão passar entre, em media, os 12 aos 17 anos. Alguns um pouco mais, claro.
    A liberdade é mais uma das buscas incansáveis do ser-humano. Mais um daqueles valores que, em teoria são muito bonitos, mas na prática não existem. 
    Sou apologista de que se procure essa liberdade mas que se saiba a hora de tentar abrir outra porta.
    Sou a favor também de que se conviva com o controle; não tem como fugir dele. É como uma teia de aranha: quanto mais se tenta fugir, mais envencilhado nele você fica.

    Vivemos então numa sociedade de controla onde, por conta dele,
    Já nada se faz por acaso.
    Que bom...

    domingo, 5 de setembro de 2010

    Os figurões da vida real


    Em uma pesquisa do IBGE, foi constatado que eu gasto cerca de 19 horas dentro de um ónibus por semana e, como tal, já presenciei muita coisa.
    Uma dos momentos mais confortantes de uma longa viagem, principalmente quando essa se passa antes do jantar, é quando a porta traseira do ónibus se abre e um ser munido de uma grande geringonça composta por um gancho e vários saquinhos cheios de aperitivos entra.
    Então começa o ritual:
    "Amendoim sem casca, com casca, casquinha de biscoito, 2 a 1 real.
    "4 paçocas, eu disse 4 paçocas, vai só um real"
    "jujubas de frutas, jujubas de iogurte, 3 a um real, meus senhores..."
    "é o passatempo da sua viagem!"

    Meu Deus! que frase genial! Eu me pergunto quem foi o gênio incompreendido que criou essa obra de arte que se expandiu por todos os vendedores entre os 4 cantos do Rio de Janeiro. É realmente o passatempo da viagem de muitos que, ao contrário de mim, preferem comer a dormir dentro do ónibus.
    É a partir desse princípio que eu pensei em frases de efeito. Por exemplo, estamos em época de eleições nesse momento e um dos Jingles mais famosos é o candidato a presidência, José Maria Eymael do PSDC.O candidato disputa as eleições para a presidência desde 1998, nunca conseguiu expressividade nenhuma e ainda assim o Jingle continua nas nossas cabeças. Não reconheceu pelo nome do candidato? E se eu o descrever assim:

    "Ey Ey Eymaael! Um democrata cristão!"
    Ah, agora sabe o que é, não é?

    É disso que estou falando: Em entrevista ao CQC, o candidato foi perguntado se o "marketeiro" que fez esse jingle estava rico. Eu não vi a resposta mas, sinceramente, se fosse por mim ele estaria.
    Por trás de grandes figurões se esconde mentes criativas que vivem no seu anonimado. O que eu vejo nos ónibus, senhoras e senhores, é uma capacidade de lábia enorme. Já aconteceu de eu comprar os "novos lançamentos da Tri-bala" só pelo carisma do vendedor.

    Porque que falei disso exatamente eu não sei, mas foi divertido. Talvez essa a primeira de muitas matérias sobre historias de ónibus.
    Obs: Ao pesquisar uma imagem que ilustrasse essa postagem, eu encontrei essa aí que, por acaso, retrata bem a realidade do ónibus que pego quase todos os dias(que por acaso é esse mesmo; 882 - lotado como na imagem, diga-se de passagem).

    Boa Tarde for all =)